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Erro em exame de sangue: paciente que teve braço lesionado ganha indenização de R$ 8 mil

TJSC reconhece que perfuração de nervo e paralisia parcial não são “risco normal” de coleta e condena laboratório por dano moral


O que aconteceu

Um procedimento que costuma ser rápido e simples terminou com consequências graves. Segundo o processo, o paciente foi a um laboratório para um exame de sangue comum e, durante a coleta, houve perfuração do nervo medial do braço.

A partir daí, ele passou a relatar:
• dor intensa e inchaço
• paralisia parcial no braço esquerdo
• afastamento do trabalho por cerca de três meses

O laboratório reconheceu o incidente, mas sustentou que se trataria de risco possível do procedimento.

Por que o laboratório foi condenado

A 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina entendeu que o quadro ultrapassou, e muito, o que se espera de uma simples coleta de sangue.

O raciocínio central foi este:
• perfuração de nervo e paralisia parcial não são consequências ordinárias de um exame de rotina
• houve limitação real, sofrimento e impacto direto na vida do paciente, inclusive no trabalho
• isso configura dano moral indenizável

Além disso, o caso foi tratado como relação de consumo:
• o laboratório presta serviço
• o paciente é consumidor
• aplica-se o CDC, com responsabilidade objetiva do fornecedor

Na prática, responsabilidade objetiva significa que não é necessário provar culpa do laboratório. Basta demonstrar a prestação do serviço, o dano e o nexo entre eles.

O fato de o laboratório ter custeado algumas sessões de fisioterapia foi considerado relevante como tentativa de reduzir o prejuízo, mas não afastou o dever de indenizar pela lesão e pelo impacto causado.

Indenização por dano moral: por que ficou em R$ 8 mil

O Tribunal fixou a indenização em R$ 8 mil, considerando pontos como:
• a gravidade da lesão
• o período de afastamento e a limitação na rotina
• o sofrimento físico e emocional
• a necessidade de não normalizar evento grave em procedimento simples

Aqui, dano moral não é mero aborrecimento. Envolve dor, angústia, insegurança diante de possível sequela e frustração por sofrer consequência severa em algo que deveria ser seguro.

O que essa decisão ensina para outros pacientes

1. Nem todo risco é aceitável

É comum haver pequenos efeitos após coleta, como um leve hematoma. Mas eventos como perfuração de nervo, perda de movimentos, lesões relevantes e afastamento do trabalho fogem do esperado e podem indicar falha na prestação do serviço.

2. Exame e atendimento também são relação de consumo

Laboratório, clínica e hospital, quando prestam serviço ao paciente, assumem deveres de segurança, cuidado e qualidade. Se houver falha com dano, pode haver responsabilização.

3. O que guardar se algo der errado

Se houver complicação séria, ajuda muito reunir:
• laudos, relatórios, receituários e prontuários
• exames que confirmem a lesão
• documentos de afastamento do trabalho
• comprovantes de despesas e de eventual redução de renda
• anotações de datas, horários e atendimentos recebidos

4. Procurar orientação

A depender do caso, é possível buscar orientação com advogado, Defensoria Pública e órgãos de defesa do consumidor.

Conclusão

O caso deixa um recado claro: quando um procedimento simples causa lesão grave, com dor, limitação e prejuízos relevantes, isso não precisa ser tratado como “azar do exame”. O TJSC reconheceu a falha na prestação do serviço e fixou indenização de R$ 8 mil por dano moral, ainda que o laboratório tenha custeado parte do tratamento.

Você já viu situação em que um exame rotineiro gerou complicação séria e o paciente ficou sem resposta adequada? Essas histórias ajudam a mostrar por que segurança e responsabilidade não podem ser opcionais na área da saúde.

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