Cada vez mais serviços públicos e privados funcionam exclusivamente pela internet. Agendamentos no INSS, consultas no SUS, inscrição em programas sociais, acesso a benefícios, contratos bancários e até atendimento judicial passaram a ser feitos de forma digital.
Mas surge um problema: nem todo cidadão tem internet, computador ou conhecimento para usar aplicativos e plataformas online.
Quando a tecnologia vira barreira
Para milhões de brasileiros, a falta de acesso digital não é escolha — é realidade. Idosos, pessoas de baixa renda, moradores de áreas rurais e pessoas com deficiência podem encontrar dificuldades para:
- Solicitar benefícios previdenciários
- Agendar atendimentos médicos
- Participar de programas sociais
- Resolver problemas bancários
- Acompanhar processos judiciais
Quando o atendimento presencial é eliminado ou dificultado, o cidadão pode acabar impedido de exercer um direito básico.
Isso é legal?
A digitalização dos serviços não é ilegal. Pelo contrário, ela pode facilitar e agilizar atendimentos.
O problema surge quando não existe alternativa acessível para quem não consegue utilizar meios digitais.
O acesso a serviços essenciais não pode depender exclusivamente de tecnologia. Quando isso acontece, pode haver violação de direitos.
O que pode ser feito?
Se uma pessoa foi prejudicada por não conseguir usar um sistema online, é possível:
- Solicitar atendimento presencial ou alternativa acessível
- Registrar reclamação formal
- Buscar orientação jurídica
- Em alguns casos, ingressar com ação judicial
O uso da tecnologia não pode excluir cidadãos do acesso à saúde, previdência, assistência social ou Justiça.
Atenção
A modernização é importante. Mas ela precisa ser inclusiva.
Se a falta de acesso digital impediu você ou um familiar de exercer um direito, a situação pode — e deve — ser analisada.
A exclusão digital não pode se transformar em exclusão de direitos.